terça-feira , 14 julho 2026

Acidentes com motos crescem pelo sexto mês consecutivo e acendem alerta no HFM

Os acidentes de trânsito seguem entre as principais causas de atendimento no Hospital Ferreira Machado (HFM), referência em Emergência Vermelha no Norte Fluminense. Responsável pelo atendimento de pacientes vítimas de traumas graves, a unidade encerrou o primeiro semestre de 2026 com um dado que acende um alerta: o crescimento contínuo dos acidentes envolvendo motocicletas, com 2.633 atendimentos no pronto-socorro.

Os números mostram que, entre janeiro e junho, os atendimentos na urgência e emergência a motociclistas aumentaram mês a mês. Foram 335 casos em janeiro; 373 em fevereiro; 444 em março; 482 em abril; 484 em maio e 515 em junho, um crescimento de mais de 53% no período. Ao longo dos seis primeiros meses do ano, o HFM registrou ainda 1.099 atendimentos relacionados a acidentes ciclísticos, 413 automobilísticos e 386 atropelamentos.

Para o diretor do pronto-socorro do HFM e médico ortopedista, Fábio Macedo, os dados apenas confirmam uma realidade vivida diariamente dentro da unidade. “Independentemente das condições climáticas, feriados ou festas, o número de vítimas aumenta todos os meses desde janeiro, isso é perceptível nas enfermarias do hospital, que permanecem cheias. Esse cenário impacta diretamente a qualidade da assistência e reforça a necessidade de uma mudança de paradigma no trânsito de Campos, principalmente em relação aos acidentes envolvendo motocicletas”, destacou.

Além da sobrecarga na rede hospitalar, os acidentes deixam sequelas que exigem tratamento prolongado, cirurgias complexas e, em muitos casos, internação em unidades de terapia intensiva. Segundo o médico, Aluísio Puglia, embora ninguém pratique atividade física pensando em um possível acidente, manter uma boa condição física pode fazer diferença durante a recuperação. 

“Pessoas fisicamente ativas costumam apresentar uma recuperação melhor após traumas e períodos de internação. Isso acontece porque possuem maior massa muscular, o que facilita desde o desmame da ventilação mecânica até a reabilitação para voltar a caminhar e realizar atividades básicas. Já o envelhecimento naturalmente provoca perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia, tornando a recuperação mais difícil. Por isso, manter uma rotina de atividade física é um investimento não apenas em qualidade de vida e longevidade, mas também em uma recuperação mais rápida diante de uma eventualidade”, explicou o médico. 

ACIDENTES COM BICICLETAS ELÉTRICAS TAMBÉM PREOCUPAM

Embora o HFM ainda não possua uma categoria específica para registrar acidentes envolvendo bicicletas elétricas, o crescimento desse tipo de veículo nas ruas também tem refletido no número de atendimentos classificados como acidentes ciclísticos.

Viviane Ribeiro Barros, de 51 anos, é uma dessas pacientes. Ela está internada há quase um mês após sofrer um acidente provocado por uma bicicleta elétrica. Segundo ela, o atropelamento aconteceu próximo de casa. “Quando fui fazer a curva, duas adolescentes em uma bicicleta elétrica vieram muito rápido e me atingiram. Elas eram muito novas e nem perceberam o que aconteceu, mas graças a Deus não bati a cabeça, mas fraturei a perna. A lesão atingiu a parte vascular e eu cheguei a correr o risco de perder o pé. No dia seguinte ao acidente já fui levada para a cirurgia e, graças à equipe do Ferreira Machado, deu tudo certo”, contou.

Viviane permaneceu cinco dias no Centro de Terapia Intensiva (CTI), passou por procedimentos ortopédicos e vasculares e ainda seguirá em tratamento para reconstrução da tíbia. Ela faz questão de elogiar o atendimento recebido durante a internação. “Não tenho o que falar, o atendimento aqui é excelente, melhor do que muitos hospitais particulares. Desde a portaria até médicos, enfermeiros, técnicos e copeiras, todos cuidam da gente com muito carinho. Sou muito grata por tudo o que fizeram por mim”, enfatizou.

Após viver o trauma, Viviane deixa um alerta para quem utiliza bicicletas elétricas. “Elas são muito silenciosas e muita gente anda em alta velocidade. É importante usar capacete, respeitar as regras de trânsito e ter muito mais atenção. Hoje vemos crianças muito novas utilizando esses veículos, que alcançam velocidades altas, acho que precisa haver mais conscientização, pois o trânsito exige responsabilidade de todos. Álcool e direção não combinam, seja de carro, moto ou bicicleta elétrica. Eu ganhei uma nova chance de viver e agora tenho duas datas de aniversário”, concluiu.